Serei rápido, já está muito tarde (ou muito cedo). Acho que tudo que tenho a dizer está aqui: http://retropleco.blogspot.com/2011/02/lembrancas-cariocas-aquilo-que-voce.html
Abraço
ventríloquo [Do lat. tard. ventriloquu.] Adjetivo. Substantivo masculino. 1.Diz-se de, ou aquele que sabe falar sem abrir a boca e mudando de tal modo a voz que esta parece sair de outra fonte que não ele. E assim são os textos. Ao menos os que escrevo. Eles têm várias vozes. Minhas várias vozes. Em tempo. Tempos nublados ou com sóis. Não há muito o que dizer sobre mim. O resto está aí. Várias vozes sem mover meus lábios. O ventríloquo.
Mostrando postagens com marcador Sem arquivo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sem arquivo. Mostrar todas as postagens
domingo, 6 de fevereiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
Perdido
Com um certo constrangimento se beijaram como que dizendo adeus. Lá longe era possível ver, calmo, o Pão de Açúcar iluminado. As ruas movimentadas, tantos rumos, tanto nada... tudo em vão. Vão sentimento. Aquele constrangimento.
E num segundo só, tudo fez-se festa. Fez-se novo. Uma velha possibilidade de rever o passado como um presente vivo.
Tudo tão leve, tão leve como a menina de vestido branco. E ele ali parado com um certo constrangimento. “Tudo que nos separava subitamente falhou”. Como um louco no centro do Campo de Santana, foi rasgando, desfolhando “Regufitorfagia” do Melamed, deixando as folhas indo com o vento, percorrendo a Presidente Vargas, cortando suas transversais. Indo longe, longe. Sofrendo uma quebrada para a Rio Branco, percorrendo toda avenida, sofrendo mais um desvio, entrando na Arlequim, junto com uma menina de vestido branco, saindo pelo Paço, voando. Tragada pelo sumidouro do mergulhão da Praça XV... Uma folha se perde nos chafariz da Candelária, outra cai nas mãos de um poeta de porta do CCBB. Mas outra sobe a 1º de Março e segue, segue até o Passeio, onde, ao lado, na Praça Mahatma Gandhi era possível ver, calmo, o Pão de Açúcar.
E num segundo só, tudo fez-se festa. Fez-se novo. Uma velha possibilidade de rever o passado como um presente vivo.
Tudo tão leve, tão leve como a menina de vestido branco. E ele ali parado com um certo constrangimento. “Tudo que nos separava subitamente falhou”. Como um louco no centro do Campo de Santana, foi rasgando, desfolhando “Regufitorfagia” do Melamed, deixando as folhas indo com o vento, percorrendo a Presidente Vargas, cortando suas transversais. Indo longe, longe. Sofrendo uma quebrada para a Rio Branco, percorrendo toda avenida, sofrendo mais um desvio, entrando na Arlequim, junto com uma menina de vestido branco, saindo pelo Paço, voando. Tragada pelo sumidouro do mergulhão da Praça XV... Uma folha se perde nos chafariz da Candelária, outra cai nas mãos de um poeta de porta do CCBB. Mas outra sobe a 1º de Março e segue, segue até o Passeio, onde, ao lado, na Praça Mahatma Gandhi era possível ver, calmo, o Pão de Açúcar.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Acho que as pessoas tem medo da tristeza. Creio que é algo natural e normal. Temo é pelas pessoas não aceitarem a tristeza. Então, quando digo que estou triste é um alarde. “Mas por quê?” “O que houve?”. Aquele senso todo de proteção, vontade de ajudar, de te fazer sorrir. Perdão, às vezes não dá. Às vezes você realmente está para baixo e quer cair um pouco mais. Acha chato o céu azul. Daí, então, as pessoas também não percebem que você não quer preocupar ninguém, muito menos quer estragar o céu azul e a noite estrelada dos outros. Pois há esse equivoco entre tristeza e amargura. Amargura é você querer que todo mundo seja sombrio como você. Tristeza é tristeza e só. Lógico que é bom saber que outros se preocupam contigo, além da sua família. Mas nem toda tese de “preciso de atenção” ou “quero atenção” é verdadeira. Falo por mim, claro. Não quero paparicos, às vezes quero silêncio, vinho, livro e incenso. Não quero palavras de reconforto, às vezes quero música, sofá e cama. Está certo que o céu azul e o mar são convidativos. Mas chuva e céu cinza são aconchegantes. Está certo que o dia é vivo. Porém, a noite tem lá seus mistérios. Acho que sou um mau amigo, não? Mas eu sou assim. É piegas dizer, mas muitas vezes o silêncio fala mais do que as frases de efeito. Nem todo mundo é feliz. Mas tem gente que quer ficar triste um pouquinho, pois, às vezes, isso traz autoconhecimento que por sua vez traz a felicidade...
Ps. Para você que me escreveu, muito obrigado. Do fundo do coração, muito obrigado.
Ps. Para você que me escreveu, muito obrigado. Do fundo do coração, muito obrigado.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Hoje acordei meio cinza, tão cinza quanto o céu de Aracaju. Engraçado como a gente vai se adaptando a uma cidade. Um amigo meu sempre diz: “o ser humano é como pomba, se adapta a qualquer lugar...”. Começo a concordar com ele e começo a perceber que já consigo me camuflar nessa cidade. Tenho acordado cinza como ela e no decorrer do dia vou ficando azul. Se Aracaju fosse sempre assim, juro que chegaria ao ponto de amá-la e ter mais do que empatia. Mas, “empatia é o primeiro passo para o amor puro” – penso eu com meus botões desabotoados da camisa.
Fiquei de ir à Universidade, porém, um desconfortante problema fisiológico me deixou, madrugado, em casa – só acordo cedo quando necessário. Após o banho e à desculpa, devidamente compreendida, dada a um companheiro que iria comigo até lá, me deu uma baita vontade de conversar com alguém. E eu estou aqui. Então: “come together”!
Desde ontem estou com uma frase na cabeça: “Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”. Esta é a frase inicial de Budapeste, para muitos, o melhor romance escrito por Chico Buarque – confesso que fico dividido entre ele e Leite Derramado e, no fim das contas, voto sempre em Estorvo para não se ingrato com esses seus escritos mais “maduros”, porém, é outra história, outra conversa.
O motivo da frase ter renascido na memória, mesmo depois de tanto tempo da leitura desse livro é, no mínimo, babaca . Observo que muita gente coloca no Orkut frases em outros idiomas, inclusive eu: latim, inglês e agora há uma onda de francês. Me lembro que quando eu era garoto fui colocado num curso de língua estrangeira e pude optar pelo inglês ou espanhol – escolhi o segundo, pois achava quem estudava inglês meio chato. Passado esse tempo, já no fim da adolescência e início do curso universitário me matriculei num curso de francês, talvez, o único idioma que eu estudei com afinco e vontade. O engraçado é que eu não saia por aí escrevendo em página de relacionamentos (talvez, porque não existiam muitas como hoje) em língua estrangeira. Eu pensava, na época: “ora, por que escreverei e outra língua como estou me sentindo se praticamente ninguém entenderá o que escrevi?”. Está certo que hoje existe o maldito ou bendito, não sei, tradutor do Google. Um dia, fiquei curioso e fui ver como funcionava. Fiquei realmente impressionado, mas como todo tradutor há várias traições ali. Então, melhor não confiar muito. Voltando ao assunto.
Aí você começa a observar esse fenômeno interessante, não é? E fica se questionando, pelo menos eu fico, qual o motivo das pessoas fazerem isso? Será que estão estudando o idioma? Será que querem esconder o que sentem? Será que querem tirar onda? Será que são babacas mesmo? Agora recordei uma babaquice. Na época de universidade, eu tinha uns amigos que gostavam de utilizar expressões em inglês ou mesmo soltar umas frases na língua das ilhas. Aí, quem não sabia o idioma ficava com cara de... Babaca! Outro sinônimo de babaquice é nos obrigarem a falar as palavras certinhas, com a pronúncia correta. Me sinto desobrigado quando não sou um estudante do idioma e também quando não quero ser. Que babaquice! E vamos treinar o th... vamos lá: todo mundo pronunciando direitinho! E o cou? Pronuncia direitinho cou, hein?
Mas é admirável. Juro que é! Acho bonito o esforço de aprender uma língua estrangeira na solidão. Eu, confesso, não conseguiria, talvez, por ausência de força de vontade. Ainda prefiro os cursinhos, as aulas particulares ou a necessidade do dia a dia. Acho que, por isso e só por isso: “Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”, mas, poxa, Chico, é difícil não debochar, não é não? Aliás, perdão, às vezes, é legal ser babaca! Então, viva as babaquices que ainda temos coragem de fazer! Como os trocadilhos com cou! Salve, São House!
Fiquei de ir à Universidade, porém, um desconfortante problema fisiológico me deixou, madrugado, em casa – só acordo cedo quando necessário. Após o banho e à desculpa, devidamente compreendida, dada a um companheiro que iria comigo até lá, me deu uma baita vontade de conversar com alguém. E eu estou aqui. Então: “come together”!
Desde ontem estou com uma frase na cabeça: “Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”. Esta é a frase inicial de Budapeste, para muitos, o melhor romance escrito por Chico Buarque – confesso que fico dividido entre ele e Leite Derramado e, no fim das contas, voto sempre em Estorvo para não se ingrato com esses seus escritos mais “maduros”, porém, é outra história, outra conversa.
O motivo da frase ter renascido na memória, mesmo depois de tanto tempo da leitura desse livro é, no mínimo, babaca . Observo que muita gente coloca no Orkut frases em outros idiomas, inclusive eu: latim, inglês e agora há uma onda de francês. Me lembro que quando eu era garoto fui colocado num curso de língua estrangeira e pude optar pelo inglês ou espanhol – escolhi o segundo, pois achava quem estudava inglês meio chato. Passado esse tempo, já no fim da adolescência e início do curso universitário me matriculei num curso de francês, talvez, o único idioma que eu estudei com afinco e vontade. O engraçado é que eu não saia por aí escrevendo em página de relacionamentos (talvez, porque não existiam muitas como hoje) em língua estrangeira. Eu pensava, na época: “ora, por que escreverei e outra língua como estou me sentindo se praticamente ninguém entenderá o que escrevi?”. Está certo que hoje existe o maldito ou bendito, não sei, tradutor do Google. Um dia, fiquei curioso e fui ver como funcionava. Fiquei realmente impressionado, mas como todo tradutor há várias traições ali. Então, melhor não confiar muito. Voltando ao assunto.
Aí você começa a observar esse fenômeno interessante, não é? E fica se questionando, pelo menos eu fico, qual o motivo das pessoas fazerem isso? Será que estão estudando o idioma? Será que querem esconder o que sentem? Será que querem tirar onda? Será que são babacas mesmo? Agora recordei uma babaquice. Na época de universidade, eu tinha uns amigos que gostavam de utilizar expressões em inglês ou mesmo soltar umas frases na língua das ilhas. Aí, quem não sabia o idioma ficava com cara de... Babaca! Outro sinônimo de babaquice é nos obrigarem a falar as palavras certinhas, com a pronúncia correta. Me sinto desobrigado quando não sou um estudante do idioma e também quando não quero ser. Que babaquice! E vamos treinar o th... vamos lá: todo mundo pronunciando direitinho! E o cou? Pronuncia direitinho cou, hein?
Mas é admirável. Juro que é! Acho bonito o esforço de aprender uma língua estrangeira na solidão. Eu, confesso, não conseguiria, talvez, por ausência de força de vontade. Ainda prefiro os cursinhos, as aulas particulares ou a necessidade do dia a dia. Acho que, por isso e só por isso: “Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira”, mas, poxa, Chico, é difícil não debochar, não é não? Aliás, perdão, às vezes, é legal ser babaca! Então, viva as babaquices que ainda temos coragem de fazer! Como os trocadilhos com cou! Salve, São House!
Assinar:
Postagens (Atom)