domingo, 13 de setembro de 2009

Praça XV – 10 de janeiro de 2007

Começamos bem
Quando ficamos sós
E ontem, antes de duas garrafas de vinho
Massa e boa prosa com um amigo
Me lembrei do beijo doce na Praça XV
Pois o Rio era só nosso
O sol beijava o mar ao longe
A Perimetral parou
Na Primeiro de Março silenciaram os carros
E nem era dia de domingo
Entre choro e samba
Entra e sai de gente
Começamos bem
Quando ficamos sós
Só nós dois entre a multidão e o vai e vem do Rio
A 7 de setembro era só mais uma data em rua
A Uruguaiana só um ponto de referência
O Largo de São Francisco ficou estreito por nós dois
A Lapa, a praia, o bonde, tudo se entrecruzava
Enquanto tudo era um beijo
Meu e seu
E ontem, após duas garrafas de vinho
No silêncio do escritório
Com a claridade clarividente
De que mais um dia raiou
Transformando o ontem em hoje
Percebo que não há nada melhor no mundo
Que ter teu nome grafado num pedaço grande da minh’alma
Pois enquanto o dia acorda
Num provável dia calmo de domingo
Me lembrei da Praça XV
E no beijo doce que dei em você.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bantu Steve Biko: a voz que ninguém pôde calar...


Há, aproximadamente, três ou quatro meses que me vem uma vontade enorme de falar sobre Bantu Steve Biko. Fui adiando o desejo por uma série de fatores: mudança, viagens, noivado, casamento, saudade... Sentimentos que foram me tomando a alma e acabaram postergando essa voz para, quase, à mudez.
O interesse por Biko nasceu, como quase tudo para mim, na música. Sou um grande fã da banda de rock progressivo Genesis, o que, mesmo não sendo regra de fato, me faz gostar, também, de Peter Gabriel, fundador do grupo e vocalista até 1974. Já discuti isso por aqui n’O Ventríloquo.
Gabriel sempre foi, assim como Phil Collins, envolvido em causas humanitárias e no ano de 1980 lançou a canção “Biko” (no disco “Peter Gabriel 3”, também conhecido como “Melt”) em protesto à morte de Bantu Steve Biko no ano de 1977. A música tomou uma proporção enorme, eu não era nascido, talvez, você também não. Porém, o som torna-se quase que atemporal, diferente, infelizmente, dos fatos que, muitas vezes, são esquecidos na memória. Este é o caso da morte de Steve Biko e eu quero, justamente, gritar sobre isso hoje. Apesar de saber que sua voz nunca foi calada, nem naquela cela, nem em lugar nenhum...
Talvez, muita gente tenha visto o filme “Um grito de liberdade” (Cry freedom) de 1981. Bem, não é do filme que eu gostaria de conversar hoje já que isso aqui é conversa de bar, pois são nas cadeiras amarelas ou brancas, com marca de cerveja no centro e nas costas, que travamos nessa vida os maiores embates e temos, ainda, as melhores idéias. Segue minha crítica então, quase berrando, quase clamando por atenção... Mas, antes, eu queria alertar que a Sétima Arte, ficará de fora dessa vez, só dessa vez.
Apesar do filme, apesar da música, Bantu Steve Biko é pouco conhecido pelo grande público, à exceção daqueles que são ligados, de alguma forma, aos movimentos contra racismo: ativistas, estudiosos, etc. Aí é que está o grande problema, sobre Steve Biko e sua saga, sua vida e morte em prol do fim do apartheid, deve-se falar nas escolas, nas praças públicas, deve ser conversa de bar... Pois a segregação não acabou, talvez, em alguns lugares, como o Brasil, ela seja mais mascarada, veja bem, não entenda “mascarada” como contida. O brasileiro é racista, é um povo racista. Homem cordial? Alguém leu e não entendeu direito a tese do Sérgio Buarque de Holanda, pois aqui também tem isso, a gente lê as coisas e não entende: adapta como acha melhor.
Steve Biko foi morto covardemente no dia 12 de setembro de 1977 – só agora percebi que a data do aniversário de sua morte se aproxima. Para ele fizeram um filme, fizeram uma bela canção. O mundo mudou? Não! O apartheid como regime pode ter se extinguido, mas a segregação se foi? Indico aqui a ótima dissertação de mestrado de Ângela Aparecida Gonçalves Oliveira, defendida em 2008, na Universidade Estadual de Maringá, pois é, sou medievalista de pesquisa e profissão, mas estou atento a outros assuntos!
No dia 7 de outubro de 2003, segundo pesquisa que fiz na internet para argumentar com mais propriedade a melodia de hoje, os guardas envolvidos na morte do ativista foram absolvidos por “falta de provas”.
O curioso é que fico com a sensação de que a letra de Gabriel continua atual e isso me deixa preocupado e triste:

When I try to sleep at night
I can only dream in red
The outside world is black and white
With only one colour dead


Bom, não é preciso ter um inglês tão fluente para entender esse trecho da letra, que é mais ou menos o seguinte: “Quando eu tento dormir à noite/ Meus sonhos são vermelhos (ou eu somente tenho sonhos em vermelho? Não sei... não confio muito no meu inglês)/ Lá fora o mundo é preto e branco/ Com apenas uma cor morta.”.
Fico aqui pensando se realmente “(...) the eyes of the world are watching now” (“os olhos do mundo agora estão vigilantes”), pois como diz o mesmo Peter Gabriel na canção: “The man is dead”.

Fica aqui minha homenagem a Bantu Steve Biko e meu desejo que sua voz, sua vida e morte ecoem durante muito tempo!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Centésimo post: tudo iluminado!

Há dias que estou com um som na cabeça, martelando, ecoando – e de eco, estou ficando especialista. A estrutura nasceu na rede aqui do apartamento, revendo meu próprio tempo, melhor, o tempo d’O Ventríloquo. Só hoje, após chegar em casa que recaiu sobre mim a luz: a luz de cem postes!
Pois é, é o centésimo post aqui no blog, que há quase dois anos nasceu com uma proposta simples: “(...) uma fuga aos demasiados textos poéticos que não escrevo. Talvez seja também a necessidade de escrever alguma coisa a mais para mim. Não há formatações. Mas...” (http://oventriloquo.blogspot.com/2007/09/o-teste.html). A conjunção adversativa ainda hoje continua sendo utilizada constantemente.
Me auto citar não é à toa. O primeiro post, como denominamos no mundo bloggeiro, intitulado, somente, “Teste”. Já ia explicando à que veio O Ventríloquo. O tempo foi amadurecendo as “vozes”. Preferi utilizar sempre as metáforas musicais, sonoras, pois o que eu escreveria nesse espaço, seriam conversas, pensamentos, em grande parte, soltos, muitos devaneios, aliás. Melodias, ora harmoniosas, ora fora do tom. Assim, como Bentinho em Dom Casmurro, eu enxergo a vida como uma grande sinfonia: com seus altos e baixos.
Dia 26 de setembro próximo, esse espaço completará mais um ano de vida e segue seguindo na contramão do tempo. Mas há um antes e os antes são sempre importantes para mim. Novas vozes têm se ajuntado à minha e formando um rico coral de diferenças e similitudes – estou alcançando meus objetivos. Não há formatações.
Eu até cheguei a ensaiar o antes, contar a história do blog, do que me fez escrever aqui, como cheguei até o conceito d’O Ventríloquo, porém, ficou mais chato do que está... Decidi, então, seguir por outro caminho. O resumo da ópera é que eu queria me libertar, queria enrolar enquanto escrevia, quase ao ponto do cansaço do leitor, pois nem me importava muito com quem iria passar por aqui. Isso mudou, deixei para lá esse negócio de não ter a ponta do novelo e agora vivo procurando o fim. Pois comecei a ser ouvido e acho que tenho sido bem, no limite do que é isso aqui, sucedido.
Acho que o fui, acho que estou sendo. Ganhei amigos por aqui. Gente de longe, como o Diego Viana, da França, e seu blog fantástico Para ler sem olhar (http://diegoviana.opsblog.org/). Ou as poesias da paulista, radicada no Chile, Beatriz Santrozi (http://porondeandaranicanor.blogspot.com/). As loucuras do Gustavo Alvaro e seu Intelecto Fútil® (http://intelectofutil.blogspot.com/). O stand up comedy virtual do Ora, bolas! e seu humor levado à serio, no Humor é coisa séria!. (http://comediaemblog.blogspot.com/). Como não citar, os textos áureos do meu amigo André Lemos no seu Miscelânea de Opiniões e Sentenças (http://o-andarilho-e-sua-sombra.blogspot.com/). Ou as considerações religiosas e devocionais do Marcelo Fernandes (http://mfpmarcelo.wordpress.com/). Claro que tem música, como esquecer do recém-chegado nos meus favoritos: Dub-o-matic, do camarada Aquino (http://dub-o-matic.blogspot.com/) que me indicou seu trabalho no último ônibus Campus X Orlando Dantas, depois de uma das minhas aulas de História Medieval I? Ou mesmo do Retropleco: http://retropleco.blogspot.com. É muita coisa! São muitos parceiros! Agora vejam só, tenho até 10 carinhas que dão voz por aqui também! Obrigado gente!
Pois no fim das contas, quem faz isso aqui somos todos nós, ainda não expliquei, mas a tese de que somos gente continua valendo para mim! Muita luz para vocês, pois aqui, aqui a gente tem cem postes!



Ps. Ainda falarei esses dias sobre meu domingo em família sergipana! Fortes emoções, aguardem... Afinal, “ô professor, bacalhau também é bicho!”.