quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Um horizonte distante para a janela da alma

Janela lateral do prédio do Paço Imperial

Esse grito vai sem delongas ou pieguices dedicado a quatro pessoas. Sem muita revisão, sem muito gargarejo ou ensaio. Talvez saia rouco e desafinado – e quem não desafina na vida?
Vai para você Gustavo Alvaro. Vai para você Ana Lúcia. Vai para você Carolina Fortes. E vai para você, minha cara orientadora. Tenho meus motivos. Meus muitos motivos.
Ontem foi dia dos mestres. Maestros que ensinam a ler, escrever. Ensinam em escolas e universidades por esse Brasil. Ontem foi um dia confuso para mim. Mas, um dia que não ensinei, apenas aprendi. Pois nessa arte de ensinar sempre há suas surpresas e a gente aprende mais do que ensina.
A minha veio numa notícia de início desastrosa para minha vida organizada em prol de minha pesquisa histórica que, como bem salientado por Carolina, não deve ser o único foco da nossa vida. Me conformei. Mas não era conselho de conforto era conselho de alguém que sabia o que estava dizendo.
Meu semblante mudou um pouco, já sorria para Gustavo e observada seu novo livro de partituras para viola. A voz embargada que Ana havia ouvido minutos antes pelo celular, possuía uma firmeza conhecida e natural. Eu até já sorria.
O mesmo celular vibrou. Entrei no elevador só. Poucos segundos me separavam do que meses, dias, horas antes eu vislumbrava no horizonte distante. Esses mesmos segundos, me remeteram ao passado. Ao caminho que tracei até ali: o horizonte não era distante, na verdade, era aquele momento. A tranqüilidade me domou mais uma vez.
Um bom orientador não se resume em um milimétrico olhar crítico sob e sobre nossos textos. Não se faz e se perpetua, simplesmente, pelo conhecimento prévio de livros, artigos, caminhos. Não! Definitivamente não! E hoje acabei tendo essa certeza - que já me era clara.
Com pesar uma notícia me foi dada e com uma segurança tamanha a solução encontrada. Uma solução de arrepiar os pêlos do braço. A tensão foi passando. Segredos mais uma vez sendo guardados.
A janela foi se abrindo e um raio de sol foi transpassando as nuvens densas. Mas o caminho ainda é longo, pois o tempo vira. Mas por que desesperar?
Coincidências da vida? Não sei. Mas quando acabo de gritar o que aqui gritei, que música vocês acham que começou a tocar?
Um abraço terno em vocês, viu?
Divido minha voz e cantarolo aqui uma das muitas belas canções da fértil parceria entre Ivan Lins e Vitor Martins. Pois não devemos nunca nos desesperar, jamais!

Desesperar, jamais
(Ivan Lins e Vitor Martins)

Desesperar jamais
Aprendemos muito nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempo

Nada de correr da raia
Nada morrer na praia
Nada! Nada! Nada de esquecer

No balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora, acho que chegou a hora
De fazer valer o dito popular

Desesperar jamais
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais

* Do disco: A Noite (P 1979)

Um comentário:

Gustavo Alvaro. disse...

Excelente! esse é muito bom mesmo. Real, pois eu estava com vc, é bom sentir essa verdade quando vivemos o que lemos.

feliz dia do mestre. E parabéns pela porra toda.


ps: já to estudando uma das partituras, "desafio de cana verde" e tenho me saído bem. vou te mandar o cd com as músicas pra vc ouvir. são ótimas.

abraços tenros e defumados.