Em tempo: A pichação foi feita em 2013. Na verdade, já se vão 17 anos.
ventríloquo [Do lat. tard. ventriloquu.] Adjetivo. Substantivo masculino. 1.Diz-se de, ou aquele que sabe falar sem abrir a boca e mudando de tal modo a voz que esta parece sair de outra fonte que não ele. E assim são os textos. Ao menos os que escrevo. Eles têm várias vozes. Minhas várias vozes. Em tempo. Tempos nublados ou com sóis. Não há muito o que dizer sobre mim. O resto está aí. Várias vozes sem mover meus lábios. O ventríloquo.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Alguém lembrou do Escovinha (ou ossatura da memória)
Em tempo: A pichação foi feita em 2013. Na verdade, já se vão 17 anos.
sexta-feira, 6 de março de 2015
Para o Alexandre Moraes
terça-feira, 18 de novembro de 2014
A nostalgia contemporânea, os cabelos cacheados, o velho novo mundo
Começo pelo “velho mundo”. É fato, meu velho mundo morreu, talvez, ainda restem resquícios fortes e necessários de reavivamentos de memória. Mas, isso, não lembro se comentei, aos poucos, apesar de estrangeiro em terra minha, com cada pedalada, cada passo trocado e esbarrão de ombro na pressa das calçadas cheias, fui readquirindo o velho traquejo, a ginga citadina. Ao menos, do menos de tudo, o sotaque não perdi. O mundo que é novo, não deixa de se inserir no mundo que é velho, mas as coisas mudaram. A questão é: os valores não podem mudar e essa luta é diária, é constante. Que seja. Me recordei dos cabelos cacheados da menina. A história é curta e vale um chope. Nada demais. Talvez, eu até seja tacanhamente poético. Ou não.
Eu tinha lá minhas predileções. Na verdade, queria descer a ladeira da minha casa e voltar em paz e sem ser assaltado. Conseguir de alguma forma me sustentar com aquilo que eu gostava e havia escolhido fazer. Para os meus pais aquilo tinha uma importância tamanha: Eu ser feliz. Meu pai e minha mãe eram revolucionários. Foram revolucionários. Eu estava sendo revolucionário não sendo revolucionário? Afinal, se eu fosse revolucionário como os meus pais, não estaria sendo conservador demais? Coisas de menino.
A questão é que meu pai saiu criança dos rincões do Paraná direto com a família para ser colono em Cordeiro no Rio de Janeiro – ele me re-contou essa história recentemente enquanto me visitava, aliás, quando voltei de minha rápida viagem ao Rio. Lá, ele ordenava vacas, cuidava de bois no pasto, tinha oito anos. Seu irmão mais velho, aos doze rumou para a capital e foi trabalhar abrindo valas, aquelas valas largas em Manguinhos para passar a tubulação. Comprou um sítio em Mesquita, no alto do morro e voltou para Cordeiro aos dezesseis anos, pois aos dezesseis anos dele Mesquita era um buraco perdido qualquer. Meu pai conta que lembra bem: “Vamos embora, vamos para o Rio”. Papai se escondeu no pasto, gritava que não queria abandonar as suas vacas e que viver na cidade grande ia ser ruim. Meu tio também já me contou a história, mas em tom gozador da frouxidão do meu pai garoto.
sábado, 21 de agosto de 2010
Ou como não lembrar do escorrego da pracinha em Realengo, um outro extremo de história. Atravessar atentamente a Água Branca com medo de morrer atropelado. A vó dando dinheiro pro hambúrguer da Dona Idê a “mulher do Dê”. Como não sorrir com os tios sacaneando o coitado do maluquinho que morava do outro lado do muro: “Déda? Já vai...”. O pedaço de algodão com iodo colado no teto do quarto das tias. A biblioteca cheia de livros do Tio Deir... Ou o cheiro de cola de sapateiro na pequena oficina do avô. Os natais recheados de presentes, empadas de tabuleiro, rabanadas e pasteis. Acordar cedo e ir pra feira ver meu avô negociar seus curiós. E o Bob? Cachorro estranho que viveu mais de 15 anos cuidado a pão de ló. O fim de tarde hoje está parecendo com aquele da velha infância em Realengo. E eu nem sei mais.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
A tristeza de um folião...
Acho que anda ficando evidente: tristeza. Muita coisa boa, sem dúvida. Mas a tristeza vem como vento, às vezes. Você se desvia, mas tudo te faz lembrar de um momento, de um período, de um segundo exato, quase que parado nas teias do tempo. Comovente, não?
“A memória é seletiva” sempre disse a Preta. Menos mal, para onde olho aqui, não lembro do carnaval que cresci vendo. Só ouço a palavra. É carnaval. Porém não é meu carnaval, nem pior ou melhor, apenas não é meu. Não posso listar nada que me incomode, não são muitas coisas nem poucas – não são listáveis. Apenas não estou onde queria estar, não suo como queria suar: paciência (coisa que não tenho).
Na TV, um documentário sobre um bloco tradicional do Rio de Janeiro: O Cacique de Ramos. De quebra ainda um destrinchar sobre outro que tem se tornado um dos melhores blocos para se perseguir com a família: O Cordão do Boitatá.
Com este último tenho uma relação muito íntima, quase religiosa, me aproprio aqui da tese de Aldir Blanc em letra que veste a belíssima melodia de Moacyr Luz, em Vitória da Ilusão se argumenta: “Carnaval, missa campal do povo brasileiro/ Onde a hóstia sagrada é o pandeiro/ Carnaval, celestial império do trambique/ Onde o crente idolatra o repique...”. E é mais ou menos isso mesmo. Difícil não dar nem que seja uma espiadinha nos desfiles, não acompanhar o Jorge Perlingeiro abrindo os envelopes, dando as notas... Você ali, sentado no chão da sala de estar com amigos depois de uma rabada de boi, depois de passar o final de semana inteiro correndo atrás de blocos de rua no Centro.
Como se cansar saindo atrás do cortejo do Boitatá, em pleno domingo, às 8:00 e continuar no seu baile aberto na Praça XV até às 16:00? E ainda pedir mais! Como se cansar? Comer milho cozido e salsichão o dia inteiro. Bebendo cerveja latão, tomando banho de água de gelo dos isopores... como se cansar? Meu camarada: “só se for agora...”. Mas não é...
As figuras lendárias do meu carnaval de rua: Kimon, o verdadeiro carnaval é ao seu lado. Thiagão e seu chapéu de camisinha da rádio Globo! Renatinha e Brunão, com os roteiros de blocos sempre guardados na bolsa... Esses dois só vejo nessa época mesmo. Pauli e Amoreco... Eu e Preta! Dá-lhe cerveja, dá-lhe barganha com os camelôs... “Só se for agora...”. Mas não é...
Como se cansar de ouvir Moyseis Marques (fantasiado de Moyses!)? Teresa Cristina e sua tradicional camisa de times! Pedro Miranda e sua peruca loira? Ali, cantando no palco do Cordão do Boitatá e a gente lá embaixo pulando no sol escaldante... Torcendo pr’algum camelô jogar pro alto gelo derretido... Dali puxar para Zona Sul, metrô lotado... Fantasia de tudo que é tipo... calor e você: sorrindo. E se me perguntam: “mas hoje você está melhor?” Eu respondo cantando: “Carnaval passional:/ Veias de serpentina,/ A alma de isopor e purpurina...”. Carnaval e carnaval e como diria o jovem Chico Buarque de Hollanda, lá pelos idos de 1966: “Era uma canção, um só cordão/ E uma vontade/ De tomar a mão de cada irmão pela cidade/ No carnaval, esperança/ Que gente longe viva na lembrança...”. E esses irmão, estão aqui, no coração e na lembrança! Bom Cordão do Boitatá para vocês galera!
sábado, 16 de janeiro de 2010
Um domingo
Algumas coisas engraçadas da vida. Estava agora pouco no banheiro e me lembrei do último – ou penúltimo – poema que publiquei em uma antologia. Na verdade, há um imbróglio nisso tudo, o editor me pediu uma crônica, acho que já ficou visível que não sei escrever crônicas, fiquei, então, uma semana, mais ou menos, maturando sobre o que escrever. Então volto pro banheiro, melhor, para minha memória de agora pouco no banheiro. Vi uma barata, na época e agora. O que deveria nascer como crônica se inspirou numa barata.
Terminada a escrita, olhei bem e gostei do que havia colocado no papel, mesmo sabendo que “papel agüenta muita lorota”, como já disse Graciliano Ramos. Todo empolgado, sem medir tempo ou qualquer outro tipo de força maior, enviei para o editor, que tenho certeza, não pensou muito se era crônica, piada, poesia ou prosa, ou mesmo um rabisco qualquer. Entrou na antologia de crônica uma prosa poética, intitulada Livros, que satisfeito eu dedicara ao meu primo Gustavo Alvaro. Como crônica, era um desastre, mas como prosa poética, era bela as letras no papel.
Amanhã o moleque vem aqui almoçar comigo, o último almoço na casa dos meus pais. Pela manhã levarei minha esposa ao aeroporto para se despedir de uma irmã que veio ao nosso casamento e que mora na Bahia há alguns anos. Depois a deixarei na casa de uma prima e volto para almoçar em casa – domingo será dia de despedidas, para ela e para mim.
Enquanto relembro causos aqui, nesse último fim de semana no Rio de Janeiro, na casa de meus pais, com a presença dos meus amigos, com o som do samba, do violão e da flauta. Meu peito bate como um bumbo, caminho como que seguindo marchinhas de carnaval de rua. Ouço em silêncio o belíssimo cd Samba da Cidade, gravado em 2005, por Moacyr Luz, artista que me consolou todo tempo em Aracaju. Esse disco, um daqueles que você só empresta para grandes amigos, é recheado de preciosidades, canções lindas, eu listaria aqui várias que me tiram lágrimas dos olhos: Som de prata, parceria lindíssima do violonista com o poeta Paulo César Pinheiro, escrita em homenagem a Pixinguinha. Ou então, Vila Isabel, feita com Martinho da Vila, a fantástica Praça Mauá: Que mal há? com o craque Aldir Blanc, esse, sim, um dos grandes cronistas cariocas. Porém, uma em especial embala minha noite hoje, fim de chuva, o calor voltando, raios longínquos mas sem amedrontar, uma preguiça gostosa depois de uma boa feijoada em Padre Miguel, um gosto de caipirinha com cachaça mineira na boca, uma coisa que só eu sei. Uma música que me fala muito, que me embala esse fim de jornada. E que por ironia do destino se chama Tudo que vivi. Essa parceria fantástica entre Moacyr Luz e o grande Wilson das Neves me tirou lágrimas hoje. Mas curioso ainda é o verso: “no anel de ouro o meu santo forte”. São Jorge. Não sou católico. Mas é engraçada essa coisa desse santo, o santo guerreiro. Me lembro que foi estudando São Jorge que ingressei na vida acadêmica, sobre ele ou pelo menos inspirado em como a cavalaria na Idade Média se inspirava nele, que iniciei minha jornada e é assim tudo que vivi:
Quando dei por mim mudei de caminho
Encostei no fundo do coração e cantei sozinho
Fiz um tamborim com as minhas mãos
E a canção surgiu
Como nasce a luz numa escuridão
Minha inspiração.
Me lembrei de mim lendo a minha mão
E a melodia bordando contas do meu cordão
Tudo era destino
Tudo aconteceu
Pra dizer em verso o que minha vida já escreveu.
Com amor amei
Árvores plantei
De me emocionar sempre que aprendi
Nas vezes que errei
No anel de ouro o meu santo forte
E por isso eu digo pra Deus: Oh sorte que te encontrei!
(Moacyr Luz e Wilson das Neves)
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
25 de dezembro de 2009
E eu estou aqui, mais um natal. Natal que só existiu para mim quando criança. Quando ainda banguela, quando ainda existia O Vila em Realengo. Quando ainda era proibido para mim atravessar a estrada da Água Branca. Quando percorríamos a calçada até o mercado Rio ou até a Casa da Banha para comprar pão de rabanada. O colo da avó, as histórias do avô.
Não, eu não prezo mais pelo natal. Fico agoniado, estou sempre sozinho. Sempre acontece alguma coisa e eu fico só. Há anos a ceia é comida no almoço do dia 24. Há anos minha mãe dá plantão no hospital e agora que está em casa se recolhe para dormir. Meu pai adormece no sofá, logo a acompanha. Fico só. Alguns bons amigos ligam, os de sempre: Thiago, Kátia... Agora tem o Kiko. Atendo o telefone constrangido. Não gosto do natal. Como explicar isso. Músicas natalinas me perseguem até no laptop. Que inferno!
A televisão só passa filmes sobre Jesus. Desenhos sobre o natal. Ensaio um sorriso amarelo. Me recolho e visto a solidão habitual. A noite vai se seguindo, ainda é dia 24. Nas páginas de relacionamento, aquelas mensagens prontas. Todos parecem amar o natal – menos eu.
Vou dormir. Não ouço fogos. Sorrisos. Nada.
Me levanto tarde. É dia 25. Uma chuva fina cai na cidade. Está trovejando. Quantos meses não ouço um trovão? É natal. É o meu natal.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
A gente vai ficando velho... (Os sinais do tempo)
Os indícios da velhice são curiosos. Apesar dos 26 anos que me caem até bem, a vida sossegou para mim. Assim começo a prosa de hoje: reflexivo e engraçado até! Alerto que nosso bate papo vai ao som do belíssimo disco A Sedução Carioca do Poeta Brasileiro de Moacyr Luz sendo acompanhado pelo maravilhoso sexteto de choro Água de Moringa – qualquer dia desse falo sobre o trabalho no blog Retropleco.
Bom, eu estava falando sobre os sinais da velhice, no meu caso, vindo mais cedo. Ontem – ontem já, não é? É madruga, então sim! – fui dar minha rotineira aula de História Medieval I na Universidade Federal de Sergipe, cheguei um pouco mais cedo, pois queria atualizar algumas coisas, me sentar um pouco na minha sala, relaxar no... silêncio?!?!
Na quarta-feira estavam montando um palco próximo ao prédio do Centro de Educação e Ciências Humanas, quando passei de tarde com um amigo, não demos muita bola, nem sabia o que era e nem quis saber. Descobri hoje! Uma festa universitária, até aí, nada demais para mim que fui freqüentador assíduo com meu amigo Thiago Porto, na época do IFCS-UFRJ, das festinhas promovidas pelo CAFIL e outras pela galera do PSTU. Bom, nordeste, forró. Rio é samba. Tanto um quanto outro, penso eu, combinam com sexta-feira a noite. Penso eu. Mas não é bem assim...
Enquanto ainda estava silêncio, relia eu Ano 1000, Ano 2000: na pista dos nossos medos do Georges Duby, quando, de repente, tudo treme! Sanfona pr’um lado, arroxa pr’o outro... Desci, faltavam ainda uns 30 minutos para minha aula, encontrei uns alunos e uns orientandos. Conversa vai, conversa vem, percebi que eles estavam mesmo com vontade de curtir um forró do que ouvir sobre História Medieval – natural isso. Acontecia comigo, só que por causa de rock ou mesmo samba. Liberei os que estavam a minha volta, fui para sala lecionar para os poucos que ficaram comigo e abonei as faltas até daqueles que nunca apareceram.
Mas não é por isso que me senti velho. Não é contraponto: energia deles, juventude deles (que é a minha também, já que alguns quase têm a minha idade) e cansaço meu. É uma coisa diferente. Uma coisa do sossego. Já não tenho mais o mesmo pique. Agora você até me questiona: mas você é tão jovem! Sim, concordo. Mas viver como vivi e o que vivi. Os abismos que me lancei. A entrada na universidade cedo demais. O mestrado. O doutorado. Encontrar Ana: sossego. Acho isso engraçado. Ensaio uma saída com o Kiko: desisto. Até porque ele também é assim! Vamos ni ritmo coca-cola de ser: quando abre a garrafa, muito gás, depois, vai ficando xoxo.
O primeiro sinal de que se está envelhecendo é quando sossegamos o coração. Quando ser quer o samba em casa. Quando se quer a flauta serena e não mais ponteando em saraus madrugueiros. Gustavo que o diga! Já viramos noites tocando violão e flauta e bebendo, bebendo e bebendo! Thiago Porto que o diga: quantas noites não vimos nascer no Abracabra? Na Lapa? Ana que o diga: quantas vezes não nos aventuramos sem lenço e sem documento pelas ruas do Rio de Janeiro? Quantos carnavais? Quantas vezes não dancei a valsa do trocar de pernas?
Nessa mesma quarta-feira do palco sendo montado que anos atrás não me passaria despercebido, aconteceu outra coisa curiosa (o segundo sinal da velhice). Chegou para mim, LP raríssimo. De um lado, Tom Jobim tocando pela primeira vez em disco Águas de Março, inclusive, única gravação que ele só canta e não toca instrumento nenhum (já fica raro por isso, sem contar o andamento da canção, completamente diferente do comum). Do outro, um tal de João Bosco, com seus 24 anos, desconhecido ainda. Bom, se o João Bosco, ainda era desconhecido nesse disco, um mero, digamos, sonhador, é raro mesmo e antigo!
A bolachinha, chamada O tom de Antônio Carlos Jobim e o tal de João Bosco, faz parte de uma série intitulada Disco de Bolso, uma tentativa, que durou apenas mais um número (com Caetano Veloso de um lado e um estreante chamado Fagner de outro), da revista O Pasquim de impulsionar o lançamento de novos artistas. Foi vencido pela censura ditatorial dos anos 70 e pelo mercado fonográfico que já era massacrante naquela época.
Bom, a revista-disco raríssima é digna de todo meu orgulho. Eu tinha que mostrar para alguém que entendesse. Kiko, não tinha dado as caras no dia. Gustavo estava no Rio de Janeiro. Minha Ana, atarefada com coisas do nosso casamento, não ia ouvir direito e sacramentar minha velhice. Me restava o grande Augusto, gaúcho que chegou à UFS quase ao mesmo tempo que eu, umas semanas depois, para lecionar Teoria da História e que tem sido grande amigo aqui. Além de ser um augusto (sempre faço esse trocadilho com seu nome) conhecedor de vinhos e música boa. Nesse caso estou bem: somo ele e Kiko e tenho uma enciclopédia de boa música! Sem contar que de um lado meu amigo carioca assistiu show antológicos que eu não me canso de pedir que ele conte e reconte e, do outro, o gaúcho, tem no currículo da vida (esse é melhor que qualquer Lattes) nada mais nada menos do que dois shows ao vivo do grande Gonzaguinha! Continuando...
E ficamos os dois, ali, no carro, olhando o disco, a revista, os olhinhos brilhando, como se fosse a coisa mais fantástica das nossas vidas! Várias interjeições gaúchas e cariocas se misturando ao olhar atento para um Tom Jobim sentado recostado numa árvore, tocando flauta transversa, lendo uma partitura, estampada na parte de trás do biquíni de uma mulher vantajosa (a foto acima). Estamos ficando velhos.
Terceiro sinal: Eu vou casar. Prefiro a poesia em casa, com a cerveja gelada em casa, com a preta em casa. Vou casar. O sossego prova isso. A vontade e o cheiro do sossego. As cadeiras de praia no domingo. O pão quente de manhã. A saudade apertando. A lembrança de um tempo que vai ficando para trás... Lembrança que não é saudade, é apenas lembrança. E o sol só nasce na minha cama agora: deixo a vida solta para meus alunos, já tirei meu time de campo!
Aliás, querem coisa mais velha que ficar lembrando as coisas? Quer coisa mais velha que ser um ventríloquo, puxar conversas longas e escrever e-mails enormes? Pois então!
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