Em tempo: A pichação foi feita em 2013. Na verdade, já se vão 17 anos.
ventríloquo [Do lat. tard. ventriloquu.] Adjetivo. Substantivo masculino. 1.Diz-se de, ou aquele que sabe falar sem abrir a boca e mudando de tal modo a voz que esta parece sair de outra fonte que não ele. E assim são os textos. Ao menos os que escrevo. Eles têm várias vozes. Minhas várias vozes. Em tempo. Tempos nublados ou com sóis. Não há muito o que dizer sobre mim. O resto está aí. Várias vozes sem mover meus lábios. O ventríloquo.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Alguém lembrou do Escovinha (ou ossatura da memória)
Em tempo: A pichação foi feita em 2013. Na verdade, já se vão 17 anos.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
O medo é o Orixá falar...
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| Aquarela de Carybé, encontrada originalmente no livro Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia, lançado em 1981 |
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| Museu Afro-Brasileiro |
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Se não há vagas: não há mérito
| Eu queria uma foto de um negativo. Mas não tenho negativos. Só uma velha máquina da infância. |
principalmente, me fazendo menos ilha.
Amém!
domingo, 25 de janeiro de 2015
L’art de conjuguer. Dictionnaire des huit mille verbes usuels. Je suis Yuri? Tu es Yuri? Il est Yuri? Je serais Yuri? J’aurais été Yuri? Que j’eusse été Yuri!
domingo, 7 de dezembro de 2014
Camila ou o primeiro passo da memória
sábado, 5 de dezembro de 2009
Doce andarilho...
Piso no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Largo de São Francisco de Paula, sem número, um prédio histórico, imponente. Quando o avisto me pergunto quantos churrasquinhos de gato da Sônia comi ali me banhando de latão de cerveja com os amigos no final das aulas? Quantas canecas de vinho e bolinhos de bacalhau foram por nós degustados nos finais de laboratório? Incontáveis conversas: futuro, passado, presente? Passado. Volto o pensamento para o presente e vou direto encontrar minha orientadora, temos que conversar: planos de capítulo, vida em Aracaju, notícias sobre minha atuação na Universidade Federal de Sergipe, minha tese de doutorado. A tarde ainda estava quente. Eu havia chegado no dia anterior, ainda me adaptava ao calor carioca – ao meu calor carioca.
Apresento meu trabalho, recebo as críticas, comentários, ponto final. Mais um papo com a orientadora. Já não estou mais lá. Estou agora sentado no tradicional Amarelinho da Cinelândia, confesso que já foi melhor, mas deixo o caso para lá. É sexta-feira. No IFCS, encontramos com Kimon Speciale (ou ele que veio ao nosso encontro).
Há uma aconchegante livraria, na Rua do Ouvidor, chamada Folha Seca... Para mim, um dos melhores atendimentos da cidade junto com o pessoal da Arlequim. Mas, enfim, numa noite fresca, caminhávamos eu e a preta e comentei que gostava de Maiakóvski, foi quando entramos nela e fui presenteado com um exemplar de Poemas, traduzido pelos irmãos Campos e Boris Schnaiderman. Belo. Inesquecível!
Ontem, quinta-feira, dia 03 de dezembro, entrei novamente na Folha Seca, só. Presenciei um bate-papo entre dois cariocas, um comprador e o dono, creio que é o dono da livraria, gente boa, por sinal, bom de papo também, mesmo que não seja o dono, é gente boa, isso é fato consumado. Os dois discutiam sobre os Nogueira, o João e o Diogo. Peguei a conversa meio que quase no fim, pensei em entrar, até ensaiei. Desisti. Queria apenas ficar ouvindo nosso sotaque, como me é caro nosso sotaque carioca! Me lembro que a resolução foi: o filho não é melhor que o pai. “O negócio dele é futebol, joga muito bem o garoto...” disse o comprador e foi embora, encerrando a contenda sambista. Eu procurava um livro de partituras do Gonzaguinha, publicado pela Irmãos Vitale... Não encontrei, o dono me pareceu mais triste que eu. Mais uma vez, ensaiei um papo, mas lembrei que a preta me esperaria no Centro Cultural Banco do Brasil, logo ali perto. A chuva caiu fina e refrescante. O tempo mudava no Rio de Janeiro. Quando abri a porta da livraria para sair, me virei e perguntei: “esse é o filho ou o pai?”. Ele sorriu e respondeu: “O pai...”. Lá dentro ficou o homem e o cd do João Nogueira tocando.
Na porta do CCBB, vi uma cena linda... Longe, eu via o sol se pondo, lá no fim da Avenida Presidente Vargas, ou pelo menos, no que eu conseguia ver entre a Igreja da Candelária e os altos prédios, ao lado oposto, o mar e um arco-íris bonito. Fiquei triste por estar sem minha máquina fotográfica. Eu estava no Rio de Janeiro. Os carros passando. O vai e vem das pessoas. Os chiados. Fotografei com o olhar. Só eu sei.
Era dia de livraria. Fomos parar na Arlequim. Café, livros, música boa. Tomei um ótimo cálice de vinho do Porto. Encontrei o cd do Wilson das Neves que eu tanto procurava. Comprei.
Hoje, o tempo virou de vez. Quase perdi o avião. A Linha Vermelha, a Avenida Brasil, acho que todo e qualquer acesso ao Centro do Rio de Janeiro, ao subúrbio, ao bendito Galeão, estava congestionado, foi aquele dia que o Rio parou.
Ao longe a Igreja da Penha, linda, imponente. Só, lá no alto. Só, como eu agora aqui em meu escritório. No meu apartamento em Aracaju. Ao longe ficou o Rio de Janeiro. Uma semana que passou como um dia. É esquisito chegar à sua cidade a trabalho, correndo, tendo que resolver coisas importantes e não curtir realmente as ruas, as noites, os dias. Um suspirar que se foi rápido e novamente a rotina. Acho que a frase da belíssima Só Dói Quando Rio, de Moacyr Luz e Aldir Blanc, resume bem o que eu senti quando pisei no Galeão: “só fico a vontade na minha cidade...”.
Mas isso passa. São reticências de um “doce andarilho”, como diria minha querida amiga Tatiane Reis. Como disse, agora pouco, ao meu primo Gustavo Alvaro, sempre que volto do Rio de Janeiro e piso em Aracaju, preciso de uns dias para me dar conta que não estou mais ali. Ao poucos, vivo novamente o ritmo daqui, a vida daqui e me apaixono novamente. Pois o que vale no fim é apaixonar-se por onde se mora. Mas amar, só amo um lugar. Agora vazio como um copo de chope na mesa de bar. Mas logo, logo, me encho de novo!
sábado, 21 de novembro de 2009
"E o inverno no Leblon é quase glacial..."
Mas, enfim, é o seguinte, fico impressionado com uma coisa engraçada aqui em Aracaju, dá um vento e as pessoas se encasacam todas! Um vento sequer e: Casaco! Dia desses, numa reunião de departamento, reparei na secretária e ela estava toda encolhida, ao término fui perguntar se ela estava resfriada ou coisa do tipo e ela: “não professor, estou com frio, o ar condicionado estava no máximo...” eu sorri, só podia sorrir mesmo.
Antes de vir para cá, me recordo que um amigo estava saindo da UCP e comentou se eu queria substituí-lo como professor de História Medieval por lá... “bom”, pensei eu, “claro!”... Acabou que não rolou e parei aqui – melhor para mim.
Sinto muita falta do glacial inverno do Rio de Janeiro. Bangu, putz, Bangu é oito ou oitenta. Muito frio. Muito calor. Mesquita, minha cidade natal, é um caso interessante. Lembro-me de acordar de manhã (coisa rara, eu sei – eu acordar cedo) e ver meu quintal todo enevoado. Chuva de granizo era uma coisa fantástica por lá. Que saudade do meu quarto úmido, frio... saudade!
Adorava o inverno no Rio de Janeiro, a coisa do mar revolto, o povo reclamando do frio. Andar de trem era o máximo. Caminhar pelas ruas do Centro era tudo. Beber vinho. Que saudade.
Fui assistir dias atrás a um show do grande violonista Toquinho (já falei sobre isso por aqui) no Parque das Sementeiras, aqui perto de casa, fiquei realmente impressionado com a quantidade de gente usando casaco, numa noite agradável, de vento fresco, achei legal mesmo. Num tempo mais passado, coisas de dois meses, algo assim, um professor do departamento que fez o doutorado no Rio de Janeiro, me parou no corredor e me perguntou se como estava minha adaptação em Sergipe. Eu disse que tudo bem, etc., o engraçado foi ele falar do calor, uma frase me chamou muita atenção: “bom, não são os 40 graus do Rio de Janeiro, mas é calor...”. Realmente... ele tinha razão. Vejamos, no futuro, o inverno, pois o verão, ah, no verão estou indo bem...
Ps. Uma vez caminhei, no inverno, no Leblon e, sim, é meio glacial. Mas, ainda considero, muito mais, como uma figura de linguagem que comparar, por exemplo, ao inverno do Grande Rio...
Ps. 2 A foto não é no Leblon, mas era inverno no Rio de Janeiro e nem sei o que eu estava fazendo na praia...


